
Nós não somos o que somos. Quer dizer, somos, em parte, aquilo que moldaram, quando não tínhamos ainda maturada a tal de consciência. Somos, na parte que descobrimos, uma outra pessoa, com outros objetivos e gostos, com vontade de viver livres e reais. Na verdade, a descoberta do que somos e queremos ser só ocorre (ou ocorria) na adolescência. Fragilizado pelas dependências orgânica e jurídica, familiar protecionista e social interesseira, o novo ser humano entra no conflito do ser ou ceder. A partir deste instante é que assumimos (ou não) as duas (ou mais) pessoas que nos tornamos. Os artifícios ou “remédios” são de conhecimento geral e global – drogas, bebidas, religião e cinismo.
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